segunda-feira, maio 18, 2009

minima moralia

Eva de Lot Torelli

de todas as coisas que não consigo lembrar, as piores são aquelas que esqueço logo após pensar. É como cair no abismo, ou pior. É como se eu tivesse lá me jogado de propósito. Afinal, servem para quê a caneta, a agenda, um pedaço de papel? Dizem que, se esqueceu, não era importante. Insensatez! Não há nada mais importante do que aquilo que se perde nas sombras da consciência, e sobretudo por um átimo, um descuido.

* * *

e eu queria saber poder (ou poder saber, o que dá aqui quase no mesmo) denunciar cada uma dessas rachaduras do cotidiano que fazem a vida ser menos, ou que ao menos a cobrem com um mistério estúpido. Os olhares desconhecidos e assustados que se cruzam inutilmente numa livraria, por exemplo, e tudo o que esse tipo de banalidade, muitas vezes carregado de uma violência inaudita, pode revelar... Mas esse é um delírio que só faz sentido numa freqüência muito esotérica da realidade... e sobre isso sou forçado a não dizer mais nada... [ ... ]

* * *

por que haveria qualquer virtude em admitir-se limitado, incapaz em diversas dimensões da vida, mas sobretudo na intelectual? Apenas porque a prepotência, a soberba e congêneres são comportamentos execráveis? Existe algo mais pretensioso do que legislar sobre a virtude, e ainda por cima "modestamente"...?

sábado, maio 09, 2009

virtualidades

® Jan Saudek

intersubjetividade para lá de difusa, espécie de denúncia do aprofundamento dessa infelicidade coletiva que não conseguimos nomear sem lugar comum, e que tememos e procuramos superar com desespero dissimulado, quando não cedemos à loucura e ao phármakon.

inesperado, terra de ninguém, unheimlich, desafio formal também: como, por exemplo, a própria ordem de cada tijolinho desses, lidos "de trás pra frente". textos contaminados dessa estranha dinâmica, dessa difícil negociação com o tempo, ainda mais imprevisível do que, dir-se-ia, o telefone, a tv ou uma frase ao alcance da bofetada :)

quarta-feira, maio 06, 2009


Neste ano "comemoram-se" 70 anos da morte de Freud. A data é, evidentemente, uma desculpa para comemorar o próprio Freud, sua existência, suas idéias, embora alguns possam dizer, em júbilo, "já foi é tarde"... Sempre achei estranho comemorar alguém pela data de seu decesso, o que talvez não se aplique no caso de Freud, que não veio trazer a salvação, mas "a peste"! A peste da consciência (terapêutica!) da infelicidade coletiva; a consciência de nossa natureza perverso-polimorfa; a destituição da soberania da consciência por forças estranhas que a atravessam e a ultrapassam... O homem não é mais senhor em sua própria morada... Para quê repetir os chavões da psicanálise num espaço como este? Para quê começar a falar sobre algo que certamente não cabe num "post de blog"? Fazê-lo parece arbitrário como tudo o que, nessas efemérides previsíveis, foge à radicalidade do seu próprio questionamento, isto é, o questionamento da domesticação a que sistematicamente a sociedade submete um pensar perigoso, incerto, doloroso. O fato é que, hoje, abri minha agenda, e lá estava escrito "6 de maio. Sigmund Freud (1856-1939)". E me ocorreu que o blog não deixa de ser um experimento de autoanálise muito heteróclito, e que, ao invés de ceder ao desejo (recorrente!) de retirar do horizonte do olhar alheio esses "fragmentos de qualquer coisa" que falam muito e quase nada sobre mim, talvez o melhor seria tentar radicalizá-lo! Será?

domingo, março 15, 2009

the príncipe charles school of dance















adoro quando o príncipe charles vem ao Brasil! é sempre uma oportunidade para saber o que há de mais moderno na dança contemporânea (com o perdão do oxímoro...). nós, da the príncipe charles school of dance, estamos exultantes com os novos passinhos do príncipe, improvisando um carimbó em terra brasilis!

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

G.-A. Goldschmidt

"D'où vient-il que le même individu soit capable de dire les choses dans les deux langues et bien incapable de les relier l'une à l'autre ? Prenons une image. Je suis dans le métro. A côté de moi, il y a quelqu'un, je ne connais pas son histoire. Je ne crois pas en Dieu, mais je crois cependant à la divinité de l'autre. L'insondable mystère de celui qui est à côté de vous. C'est comme avec les langues : elles se bordent, se touchent, mais gardent toujours leur quant-à-soi."

"On n'apprend pas une langue, on tombe dedans."

sábado, fevereiro 07, 2009

estou no sonho de Platão
sou puro pensamento
já fui uma imagem
um corpo
um vento
mas isso faz muito tempo

rosto com touro

a french poem

da série "fancing ressentment"


I didn't know my french poem was that bad

she let me know it without skirt

it was just narcissistic and sexist babble stuff

and then I understood all the mess

I was living in, the senseless fight

between me and my nothingness

the gibberish talk

and it was sad

I must say


but, oh! she was good

in telling things right

even if she eventually got all wrong

or precisely by that reason alone

because reality is what you make

till it bangs hard on your face

sexta-feira, fevereiro 06, 2009







(!!!)


no recreio



quinta-feira, janeiro 22, 2009

Adorno's T-Shirt



is this culture industry cooptation or what?!?

: )

quarta-feira, janeiro 21, 2009

poema postal para uma amiga querida

.

sempre me viro
ao (no) avesso
da carta postal

no pouco que escrevo
à sombra da imagem (soberana)

silêncio

entre uma frase, curta
e tudo o que esqueço:

a alegria de um alô distante
instante fora do tempo

.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

La closerie de Lilas et l'homme le plus méchant du monde

« La Closerie de Lilas était, jadis, un café ou se réunissaient plus ou moins régulièrment des poètes, dont le dernier, parmi les plus importants, avait été Paul Fort, que je n'avais pas lu. Mais le seul poète que j'y rencontrai jamais fut Blaise Cendrars, avec son visage écrasé de boxeur et sa manche vide retenue par un épingle, roulant une cigarette avec la main qui lui restait. (...) Ce soir-là, j'étais attablé à la terrasse, observant la lumière changeant sur les arbres et les maisons, et le passage des grands chevaux lents sur le boulevard. La porte du café s'ouvrit derrière moi, à ma droite, et un homme en sortit, qui si dirigea vers ma table.
"Ah! vous voilà", dit'il.
C'était Ford Madox Ford... (...) A ce moment un homme assez maigre, enveloppé dans une cape, passa sur le trottoir. Il était avec une femme de haute taille et son regard effleura notre table avant de poser ailleurs, puis il passa son chemin sur le boulevard.
"Vous avez vu comme j'ai réfusé de lui rendre son salut? dit Ford. Vous avez vu comme j'ai refusé?
— Non. Qui avez-vous refusé de saluer?
— Belloc, dit Ford. J'ai refusé de le saluer!
(...) Quand Ford s'en alla, la nuit était tombée et j'allai jusqu'au Kiosque acheter un Paris-Sport complet, la dernière édition du journal des turfistes, avec des résultats d'Auteuil et la liste des partants pour la réunion du lendemain à Enghien. Le serveur, Émile, qui remplacé Jean à la terrasse, s'approcha de moi pour voir les résultats de la dernière à Auteuil. Un des mes meilleurs amis, qui fréquentait rarement la Closerie, vint s'asseoir à ma table et juste au moment où il commandait un verre à Émile, l'homme maigre à la cape, acompagné par la femme de haute taille, passa devant nous sur le troittoir. Son regard effleura notre table et alla se poser ailleurs.
"C'est Hilaire Belloc, dis-je à mon ami. Ford était ici ce soir et il a refusé de lui rendre son salut.
— Ne sois pas idiot, dit mon ami. C'est Aleister Crowley, le démonologiste. On dit que c'est l'homme le plus méchant du monde.
— Désolé", dis-je. »
Hemingway, Paris est une fête


LUCIFER

sexta-feira, janeiro 09, 2009

fotos de Portugal



ano novo em Juncais:



Mondego:







Zezêre:









em Setúbal:





castelos, conventos e aldeias:

Belmonte:



Batalha:



Leiria:





Sortelha:







Marvão:







anta em Juncais (4000 ac)



auto-retratos...



segunda-feira, dezembro 22, 2008

hoje em Lisboa






na Calouste!

uma gravura japonesa:



Athena (Rembrandt):



Centauros fazendo amor (Rubens):



Diana (Houdon):



spring (Janniot):



nos jardins da Calouste: